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Empregabilidade ou Sustentabilidade Profissional?

As condições do emprego e do desemprego no país são um assunto que permeia, com freqüência, as conversas, nos encontros da minha família. Tenho sete irmãos casados que me deram, ao todo, 17 sobrinhos.

Eu mesma tenho dois filhos que já são jovens adultos. O futuro profissional deles, obviamente, nos preocupa e nos perguntamos: o que os aguarda no futuro?

Na verdade, essa pergunta não é de domínio particular; ela acompanha e atormenta a grande maioria da população economicamente ativa, aonde eu também me incluo. É como uma sombra que obscurece a visão e nos deixa inseguros no esforço de nos agarrarmos à tábua da salvação: o emprego. Muitos de nós se debate entre as opiniões, conselhos e orientações mais diversas sobre o que fazer para garanti-lo.

O tema da “empregabilidade” é discutido nos congressos, MBAs, livros e artigos. A empregabilidade é a capacidade do profissional de manter seu emprego ou de conseguir um novo emprego.

Em linguagens sofisticadas, rebuscadas ou simples e bem acessíveis, o que ouvimos e lemos é que precisamos estar preparados para a enfrentar a concorrência no mercado de trabalho; a oferta está escassa e a procura, enorme.

É verdade: enquanto as empresas se esforçam por investir em tecnologia, produzir mais e reduzir custos, seus quadros de pessoal estão sendo reduzidos drasticamente; por outro lado, a população cresce e, na mesma proporção, o número de pessoas que entra no mercado de trabalho – cresce, assim, a concorrência pelas vagas disponíveis.

É verdade também que precisamos estar preparados para enfrentar a concorrência e isso significa necessidade de mais qualificação, ou seja, renovação e acréscimo de conhecimentos, habilidades e atitudes.

Precisamos atender às expectativas do mundo corporativo: o que as empresas querem de nós, como profissionais; e isso muda o tempo todo.Eu poderia listar, aqui, algumas dezenas de novas competências requeridas dos profissionais do século XXI. Estudar e qualificar-se deixaram de ser características de uma fase da vida, passando a ser uma necessidade contínua.

Tudo isso é verdade. No entanto, não devemos canalizar nossas energias pensando em “empregabilidade”. Esse pensamento é um descompasso entre a realidade do mundo corporativo e seus profissionais, pois o emprego, conforme nós o conhecemos durante décadas, está diminuindo, continuamente.

As condições de trabalho mudaram e nunca mais serão iguais às dos velhos tempos.

A realidade do mundo dos negócios mudou e as empresas já descobriram isso há bastante tempo.

Elas reconheceram a globalização, aprenderam a conviver com a nova ordem econômica, abandonaram antigos paradigmas e revisaram seus valores; desistiram de se debater contra o fluxo da vida moderna; aceitaram as novas regras do jogo, entrando nele para competir e vencer. É isso que nós, profissionais, precisamos fazer também.

Isso significa dizer que precisamos ver nossa atuação profissional, sob novo prisma, reformular as expectativas com relação à profissão e às empresas; precisamos adotar novos valores.

É necessário redirecionarmos o foco da empregabilidade para o da sustentabilidade profissional. Qual é a diferença? A empregabilidade está relacionada ao velho conceito de emprego e nos deixa escravos de expectativas que pertencem ao passado.

A sustentabilidade, por sua vez, tem seu foco na nossa capacidade de assegurar presença no mercado de trabalho, como quer que ele se apresente. Esse foco nos estimula à flexibilidade para negociação, à criatividade e à disponibilidade para o novo abrindo outras possibilidades.

A diferença pode parecer pequena, mas não é. Ela muda o conceito de trabalho, seu valor e, ao longo do tempo, a cultura. Quando converso com meus filhos e meus sobrinho, falo disso: para quem já está preparado, a bola rola, o jogo segue e fica mais fácil fazer gols. Para quem não está preparado, não adianta discutir com o juiz, porque as novas regras são oficiais e já estão valendo.


Verônica Albuquerque
Diretora de Recursos Humanos da ITSA – Intercontinental Telecomunicação Ltda.
(empresa de Pay TV, Comunicação de Dados e Internet).
Graduada em Psicologia pela UFC e pós-graduada em Planejamento e Administração de Recursos Humanos pela FGV / DF.

 


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